25 bebês morrem em UTI de hospital público do PA
Pedido de investigação foi encaminhado ao Ministério Público; causa das mortes seria o alto índice de infecção hospitalar.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Pará, João Gouveia, pediu nesta
sexta-feira ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Ministério
Público Federal (MPF) que investiguem a denúncia por ele recebida de que
25 recém-nascidos morreram nos primeiros doze dias deste mês na UTI
neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará. A média chega a duas
mortes por dia.
Segundo Gouveia, a principal causa das mortes seria o alto índice de
infecção hospitalar no local que recebe grande demanda de grávidas, a
maioria adolescentes, oriundas do interior do Estado. "A situação é
muito grave, mas o pior é que já vínhamos alertando a direção da Santa
Casa para esse problema, mas até agora nada foi feito", disse o médico.
Ele
exibiu à reportagem a ata de uma assembleia geral dos médicos realizada
no dia 17 de abril passado, que contou com a presença de pediatras e
obstetras do hospital, onde as precárias condições de trabalho da
categoria e o risco de morte por infecções foram debatidas. "Aguardamos
as providências que não foram tomadas e agora deu nisso", lamentou.
O
secretário de Saúde, Hélio Franco, convocou uma entrevista coletiva
para esta sexta-feira para esclarecer o caso. Para a direção da Santa
Casa, o porcentual de duas mortes por dia estaria dentro da
"normalidade", mas a causa não seria a infecção hospitalar, e sim o
"baixo peso, a maioria abaixo de 1,2 quilos," dos recém-nascidos. A
grande demanda de grávidas seria também um dos motivos da falta de
melhor atendimento.
O governador Simão Jatene (PSDB) ainda
não se manifestou. Em junho de 2011, seis meses depois de ele assumir o
mandato, morreram 63 bebês.
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