Câmara aprova vinculação de recursos do petróleo
Parlamentares tentam dar uma resposta à pressão das manifestações; proposta dos royalties ainda será analisada pelo Senado
A
Câmara dos Deputados aprovou nesta madrugada um projeto vinculando
recursos da exploração do petróleo (royalties) às áreas de educação e
saúde e ampliando o montante a ser destinado a essas áreas com recursos
de parte dos contratos em vigor. O governo foi derrotado porque desejava
carimbar o dinheiro apenas para a educação e só destinava recursos de
contratos futuros e de rendimentos do Fundo Social, criado no marco
regulatório do pré-sal. O líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
afirmou que não há compromisso em sancionar o projeto da forma como foi
aprovado. A proposta será ainda analisada pelo Senado.
Sob
efeito da pressão das manifestações, a tentativa dos parlamentares é de
dar uma resposta. A prioridade para essa proposta foi pedida pelo
governo, mas a negociação ampliou de forma significativa os recursos
alvo da vinculação e incluiu a saúde entre as áreas prioritárias. O
relator do projeto, André Figueiredo (PDT-CE), estima que a proposta
original do governo destinaria R$ 25,8 bi para a educação em 10 anos,
enquanto o texto aprovado pode destinar R$ 280 bilhões para educação e
saúde no mesmo período.
O aumento bilionário
foi feito porque decidiu-se por mexer em contratos já assinados em áreas
nas quais ainda não começou a exploração comercial até 3 de dezembro de
2012 e de metade dos recursos que serão destinados ao Fundo Social. A
proposta do governo era só para novos contratos e envolvia apenas o
rendimento de aplicações feitas com o Fundo.
A
vinculação para a saúde foi feita de 25% sobre os royalties dos
contratos, não incluindo os recursos do Fundo Social. O texto final
prevê que União, estados e municípios terão obrigatoriamente de investir
esse percentual na saúde, impedindo que Dilma cumpra sua promessa de
destinar tudo para a educação.
A bancada do
PT foi fundamental para a derrota do governo. Parlamentares do partido
da presidente argumentaram que não tinham como defender a posição do
governo diante da diferença de valores previstos no projeto do governo e
no relatório de Figueiredo. A partir da insatisfação dos petistas parte
da base também passou a pressionar o governo. A negociação foi
construída em plenário em paralelo a uma tentativa junto ao Executivo de
retirada da urgência constitucional, o que poderia permitir o adiamento
da votação na busca de um acordo. O governo concordou com o adiamento,
mas os líderes partidários tinham chegado a um acordo com alterações no
relatório, mas ainda longe do desejo do Planalto.
O
governo considera que da forma como o texto foi aprovado poderá haver
questionamento judicial por se interferir em contratos já firmados. Há
ainda um entendimento de que o texto desvirtuaria o Fundo Social que é
idealizado como uma poupança a ser feita para evitar a contaminação da
economia por excesso de dólares, a chamada doença holandesa. A
vinculação para a saúde também não agradou o Palácio do Planalto porque
fragilizaria o discurso de Dilma no enfrentamento das questões
levantadas nas manifestações.
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