Movimento quer 1,5 milhão de assinaturas para lei que reduz impostos
O Movimento Brasil Eficiente (MBE) está lançando a campanha Assina Brasil
com o objetivo de colher ao menos 1,5 milhão de assinaturas para propor
ao Congresso uma reforma tributária que prevê a simplificação do
recolhimento de tributos, bem como redução gradual dos impostos.
Segundo Paulo Rabello de Castro, coordenador do MBE e um dos
idealizadores da proposta, o objetivo é proporcionar condições para que o
Brasil possa crescer a um ritmo de 6% ao ano e fazer com que a carga
tributária do país, que hoje se aproxima dos 38% do PIB, baixe para 30%.
Um estudo realizado por um dos colaboradores do movimento, Odivan Cargnin, mostra que a os impostos abocanham 48% da renda
mensal de um casal sem filhos, entre tributos diretos (como o IR e o
INSS) e impostos indiretos, pagos na compra de produtos e serviços.
Cálculos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) apontam que o brasileiro trabalhou até o dia 30 de maio para pagar os impostos.
Plano prevê unificação e centralização
O projeto de reforma tributária, intitulado "Plano Real dos Impostos",
prevê uma reforma em quatro etapas, que duraria 48 meses para ser
colocada em prática após a aprovação.
Na primeira fase, que duraria um ano, seria realizada uma unificação
dos tributos sociais federais como PIS, Cofins, CIDE, CSLL e tributos
ligados à Folha de Pagamentos. No segundo ano, o ICMS dos Estados seria
arrecadado de forma centralizada, com uma alíquota entre 7% e 12%, com o
objetivo final de reduzir a uma alíquota única de 4%.
Por essa proposta, o sistema arrecadaria por meio de uma central de
arrecadação e redistibuiria nas exatas proporções que cada município
teria de receber.
"A reforma trata a base de arrecadação. O contribuinte ganha porque vai
enxergar um caminho tranquilo, já que aplica na saída da mercadoria uma
única alíquota. Não tem o que o fiscal descobrir de errado porque todos
sabem qual é a alíquota".
Para Castro, a diminuição da alíquota também teria efeitos na guerra
fiscal. A proposta de atingir uma alíquota de 4% ainda permitiria que os
governos estaduais pudessem continuar com uma margem de manobra para
continuar atraindo investimentos aos seus territórios.
"Assim, se o governador quiser isentar a empresa dessa taxa, ele o faz.
Mas seria uma guerra fiscal mais módica", diz o economista.
Poupança do trabalhador seria remunerada
Na terceira etapa, seria criada a poupança do trabalhador. Toda a
contribuição dos trabalhadores à Previdência iria para um fundo nos
moldes do FGTS, em que o trabalhador poderia controlar o que tem à sua
disposição.
"Estamos apenas aplicando o que prevê o artigo 68 da Lei de
Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 100/00), que manda criar o
Fundo do Regime Geral da Previdência Social. Assim, se o governo
quisesse usar esse dinheiro do trabalhador, teria de remunerá-lo, diferentemente do que ocorre hoje", explica Castro.
Num último passo, como tanto a arrecadação das contribuições quanto do
ICMS seria distribuída entre os três poderes, para compensar essa perda a
arrecadação do Imposto de Renda não seria compartilhada, ficando apenas com a União com objetivo principal de cobrir a Previdência.
"Por esta proposta ninguém perde e todos ganham", diz Castro. "A
importância de se buscar uma solução viável para o caos tributário
brasileiro é tamanha que se pode comparar, sem exagero, o efeito
positivo de uma simplificação fiscal ao benefício trazido com a
estabilização da economia pelo Plano Real."
Quatro Estados e 118 mil pessoas já aderiram
Quatro governos já aderiram à proposta: Santa Catarina, Pernambuco, São
Paulo e Minas Gerais. Segundo Castro, outros 8 Estados do Nordeste,
Centro-Oeste e Sul estão em negociações para formalizar a adesão.
Segundo o Movimento, antes mesmo do lançamento da campanha nacional a
proposta já registra quase 118 mil assinaturas. A campanha será
realizada com a veiculação de um anúncio de TV e peças publicitárias.
Administrado pelo Instituto Atlântico, o MBE é uma iniciativa sem
qualquer vínculo político-partidário encabeçada, entre outros, pelos
economistas Paulo Rabello de Castro, Yoshiaki Nakano e Raul Velloso,
pelos juristas Ives Gandra Martins e Gastão Toledo e pelo empresário
Carlos Rodolfo Schneider.
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