TCU condena sem-terra a devolver R$ 3,3 milhões
Tribunal aponta diversas irregularidades em três convênios firmados por Bruno Maranhão, líder do MSLT, com o Incra
O
Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o militante sem-terra Bruno
Maranhão e a entidade comandada por ele, Associação Nacional de Apoio à
Reforma Agrária (Anara), a devolver R$ 3,3 milhões em valores de hoje
aos cofres públicos por irregularidades na execução de três convênios
com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Maranhão ficou nacionalmente conhecido por liderar uma invasão de 500
sem-terra à Câmara dos Deputados em 2006 que resultou na depredação de
uma das entradas do prédio.
A Corte também aplicou à entidade e ao
dirigente uma multa de R$ 400 mil. O TCU rejeitou as justificativas
apresentadas pelo atual titular do Incra, Carlos Mário Guedes, e pelo
ex-presidente, Rolf Hackbart, impondo-lhes sanção de, respectivamente,
R$ 3 mil e R$ 10 mil.
Uma tomada de contas especial feita pela
área técnica do tribunal revelou que os convênios não tinham uma
"descrição detalhada, clara e precisa" do objeto. Os contratos tinham
entre os principais objetivos realizar cursos de capacitação, melhorar
técnicas de produção de agricultura familiar e elaboração de cartilhas
para assentados.
Em um dos convênios, firmado em 2003 por R$ 250
mil, auditores descobriram que quase metade dos comprovantes de
depósitos bancários para justificar os pagamentos estava ilegível e
correspondia a depósitos em contas de pessoas físicas.
Em outro
convênio, de 2004, a auditoria constatou que 97% do R$ 1,2 milhão
repassado foram descontados por meio de cheques na boca do caixa, uma
forma tradicional de omitir os reais beneficiários do dinheiro.
Em
2009, o TCU já havia condenado Bruno Maranhão a devolver R$ 2,2 milhões
por outro convênio de capacitação para agricultura familiar. À época
levantou-se a suspeita de que a entidade, ligada ao Movimento de
Libertação dos Sem-Terra (MLST), tenha usado a verba para organizar a
invasão dos manifestantes à Câmara. O prejuízo físico foi de R$ 150 mil.
Recurso. Por meio da assessoria, o Incra informou que vai recorrer da decisão e não tem novas justificativas a apresentar.
O
coordenador do MLST, Aparecido Ramos de Faria, classificou a ação do
tribunal de "aberração" e disse não haver justificativa para a
condenação. "É uma decisão sem fundamento. Prestações de contas foram
feitas. O Incra tem um acompanhamento rigoroso de todas as parcerias que
faz. O TCU questiona algo que não existe".
Segundo o coordenador,
a Anara vai recorrer da condenação, assim como Bruno Maranhão, que está
afastado da entidade desde o início do ano por motivos de saúde.
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