Estudo sugere que dormir tarde pode afetar aprendizado das crianças
Segundo os autores, isso acontece porque poucas horas de sono podem afetar os ritmos naturais do corpo
Pesquisadores britânicos concluíram em uma pesquisa que dormir muito
tarde e a falta de rotina na hora de dormir pode prejudicar a capacidade
de aprendizado das crianças.
O estudo, divulgado na publicação científica "Epidemiology e Community
Health", relacionou o padrão de sono à capacidade intelectual com base
em um levantamento feito com mais 11 mil crianças hoje com sete anos.
Aquelas que não tinham hora para dormir, ou que iam dormir depois das 21h, apresentaram resultados mais fracos em testes.
Segundo os autores do estudo, isso acontece porque poucas horas de sono
podem afetar os ritmos naturais do corpo, dessa forma prejudicando a
forma como o cérebro assimila novas informações.
Cumulativo
Foram reunidos dados das crianças pesquisadas nas idades de três, cinco
e sete anos. O estudo tinha como objetivo avaliar o nível de
aprendizado e entender se existe realmente uma relação entre aprendizado
e os hábitos de sono.
O estudo mostrou que a falta de regularidade na hora de dormir era mais
comum para aqueles com três anos, onde um em cada cinco ia dormir em
horários variados.
Quando completaram sete anos, mais da metade delas passaram a ter um horário regular para dormir, entre 19h30 e 20h30.
Em geral, as crianças que nunca tiveram hora para dormir apresentaram
maior tendência a ter resultados mais fracos que seus colegas nos testes
de leitura, matemática e também percepção espacial.
O impacto foi mais evidente na primeira infância (de zero a três anos)
de meninas do que de meninos, e aparentou ser cumulativo.
"Que
Cara É Essa?" (editora Caramelo), de Nicola Smee, conta a história de
um garotinho que estava brincando de bola com seu cachorro, quando um
urso aparece e leva o brinquedo embora. A cada situação, uma nova reação
surge no rosto do garoto. São apresentadas as feições de felicidade,
susto, tristeza e muitas outras. Ao fim do livro, a criança pode
praticar as caretas no espelho que acompanha a publicação. A obra pode
ser encontrada na Saraiva (http://www.saraiva.com.br) e custa R$ 45,90.
Preço consultado em abril de 2013 e sujeito a alterações.
Fatores familiares
Os pesquisadores, liderados pela professora Amanda Sacker, do
University College de Londres, dizem que a falta de regularidade na hora
de dormir pode ser um reflexo de configurações familiares caóticas, e
que talvez seja isso, e não o sono interrompido, que tenha um impacto
sobre o desempenho cognitivo das crianças.
"Tentamos levar essas coisas em consideração", disse Sacker.
O estudo mostrou que os que dormiam tarde, e não tinham hora para
dormir, vinham com mais frequência de classes socias mais
desfavorecidas, não escutavam histórias antes de dormir, e, em geral,
assistiam mais televisão - muitas vezes em seu próprio quarto.
Mas, mesmo levando em conta esses fatores, a relação entre o fraco
desempenho intelectual e a falta de regularidade na hora de dormir ainda
foi considerada significativa, de acordo com os cientistas.
"A mensagem que devemos levar para casa é que a rotina é realmente
importante para as crianças", disse Sacker. "O melhor é estabelecer uma
boa rotina para a hora de dormir desde cedo, mas nunca é tarde demais
para começar."
Por outro lado, Sacker diz que não existe prova que colocar a criança
para dormir antes das 19h30 faz com que sua capacidade de raciocínio
possa melhorar.
O médico Robert Scott-Jupp, do Royal College of Paediatrics and Child
Health de Londres , disse que "à primeira vista, esta pesquisa parece
sugerir que dormir pouco torna as crianças menos inteligentes, no
entanto, é claramente mais complicado do que isso."
"Embora seja provável que os fatores sociais e biológicos do
desenvolvimento do cérebro estejam inter-relacionados de forma complexa,
na minha opinião, para que crianças em idade escolar tenham o seu
melhor desempenho, todos elas devem, independentemente da sua origem,
ter uma boa noite de sono", analisou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário