Uma em cada 3 multas registradas em rodovias federais chega ao motorista
Apenas um terço de todas as infrações de trânsito registradas por radares das rodovias federais nos últimos 12...
Apenas
um terço de todas as infrações de trânsito registradas por radares das
rodovias federais nos últimos 12 meses se converteu em multas e foi
enviado aos condutores. De acordo com dados do Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (Dnit), obtidos pelo Estado por meio da
Lei de Acesso à Informação, entre julho de 2012 e junho de 2013, 6,5
milhões das 9,6 milhões de multas por excesso de velocidade ficaram
impunes, sem pagamento ou anotação dos pontos na carteira do motorista.
Especialistas
em tráfego culpam a falta de comunicação entre os Departamentos
Estaduais de Trânsito (Detrans) e o Dnit. Mas o órgão federal diz que o
principal problema é técnico: infrações são registradas, mas as
fotografias não podem ser usadas porque, por algum motivo, não mostram
com clareza as placas dos carros.
Os casos mais graves ficam em
Minas Gerais, Estado que tem a maior malha viária federal do País. Lá,
os radares registraram pouco mais de 1,2 milhão de infrações, mas apenas
286 mil multas foram enviadas para os motoristas. No Distrito Federal,
três rodovias contam com radares que flagraram 483 infrações. Mas
nenhuma delas se converteu em Notificação de Autuação (NA) - a emissão
da multa para o condutor.
Em São Paulo, o Dnit mantém 20 radares
em operação, 11 deles na BR-488, a menor rodovia federal do País, com
cerca de 6 quilômetros. Ela liga a Rodovia Presidente Dutra à cidade de
Aparecida e registra grande movimento por causa das romarias. Os demais
aparelhos estão na Dutra. Das cerca de 160 mil infrações registradas por
esses equipamentos, 100 mil ficaram impunes.
Plano. Outra questão
é a demora da instalação do sistema de monitoração. Os radares federais
fazem parte do Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade
(PNCV), lançado em 2009 e que previa 2.969 aparelhos em operação no País
em 2013. Até dezembro do ano passado, no entanto, menos da metade dos
equipamentos (1.180) estava instalada e fazendo a fiscalização das
rodovias. A previsão é que, até o fim deste ano, o Dnit invista R$ 773
milhões para terminar a instalação.
O PNCV, que tem um orçamento
total de R$ 1,4 bilhão, chegou a ser questionado, no ano passado, pelo
Tribunal de Contas da União justamente pela demora na implementação dos
radares. Após as ações do órgão, o então ministro dos Transportes,
Sérgio Passos, anunciou aumento da verba para o programa e novo
cronograma de instalação dos radares.
A falta dos radares, por
outro lado, não impede a queda no número de mortes. No último feriado
prolongado nacional, o de Corpus Christi, no fim de maio, por exemplo, o
total de mortos em acidentes nas rodovias federais caiu 35% (de 2.173
para 1.413) na comparação com o mesmo feriado em 2012.
O
engenheiro de trânsito Luiz Célio Bottura, ex-ombudsman da Companhia de
Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, entretanto, afirma que a queda
das mortes é resultado de outros fatores. "O motorista está com mais
consciência. O governo federal está investindo mais em campanhas
educativas, e há uma noção maior sobre o risco de dirigir embriagado. É
claro que, se a multa não chega em casa, há o fator educativo da
infração que deixa de ser cumprido."
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