segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pais devem incentivar adolescente a agir

Pequeno-grande cidadão

  • ntes adoram reclamar do que não têm, por que não incentivá-los a que usem essa energia de contestação para agir e, de fato, mudar o que não gostam?
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Meu pai, aos 72 anos, me diz que só diante de uma adversidade um garoto adolescente se mobiliza. O conselho dele visa meu filho de 13 anos que vive aquele momento típico de “não querer nada com nada” – o que me angustia um pouco a cada dia. Pena que acho pouco radical seu conselho, e também nada prático também, pois meu pai não sugere que eu crie realmente uma adversidade na vida do neto... mas, talvez, uns obstáculos.
Por coincidência ou não, graças ao trabalho exemplar do site Hypeness, passou pela minha frente a história de um jovem malauiano que – adivinhe – tinha uma grande adversidade na vida e por conta dela se mexeu! E muito! A história dele tocou pra valer meu filho (e a mim e meu pai também). Vou partilhar.

William Kamkwamba morava com sua família em Kasungo, um dos lugares mais pobres da África. Por falta de recursos teve de largar a escola antes dos 13 anos, mas nunca se acomodou em deixar de tentar aprender: vivia na biblioteca fuçando nos livros. Esse pequeno adolescente tinha todos os problemas típicos da sua idade e mais alguns essenciais, como, por exemplo, não ter eletricidade em casa. E William tinha mais uma coisa também: uma enorme vontade de mudar sua realidade. Ah, e tinha o vento... O garoto se meteu a ler o que podia a respeito de energia eólica, e construiu um moinho gerador de energia – que passou a garantir à família de William quatro lâmpadas em casa e dois rádios!
A história de William, que rodou o mundo e recebeu menção honrosa até do Prêmio Nobel Al Gore, pode ser conferida também no livro “O menino que descobriu o vento” (ed. Objetiva). Hoje, aos 19 anos, William teve a oportunidade de estudar na African Leadership Academy, melhorar seu projeto de moinho e captar recursos locais para construir um moinho ainda maior capaz de irrigar parte da sua região.

Final feliz quando é real é ainda mais legal, não é? E o sensacional é que esse final feliz só foi possível porque um garoto de 13 anos acreditou no que leu em um livro, foi lá e fez. Isso tocou o João Pedro. Sua realidade é outra, muito melhor, sem dúvida, e vai ver, por isso mesmo, se impressionou: garotos como ele são tão fortes, afinal! Para mim, a questão essencial é que além da adversidade, contou a inspiração. Essa força que a gente traz, mas que quando se tem apenas 13 anos, está adormecida ainda. Mais ainda quando se tem 13 anos e uma sociedade ao redor que passa a mão na cabeça o tempo todo, e que superprotege, como a nossa. Nossos meninos que têm tudo e têm tanto se esquecem de que mesmo o essencial às vezes pode faltar, como a luz, que faltava para William. Nunca é tarde para ajudar a despertá-los, então.

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