Parentes e amigos não precisam ser divididos quando o casal se separa
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Se há afeto, é possível manter contato com amigos e parentes do "ex" ou da "ex"
Uma das principais e mais complicadas transformações provocadas pela
separação de um casal é reestruturar a relação com as pessoas que faziam
parte, até então, da vida dos dois. O relacionamento acaba, mas nem sempre
o carinho pelos parentes dele ou o afeto pelos amigos dela também chega
ao fim. Uma coisa, porém, é conservar os mesmos sentimentos. Outra, bem
diferente, é conseguir dar continuidade ao relacionamento com os
familiares e a turma do "ex" ou da "ex" numa boa.
A não ser que exista algo em comum que os una na rotina –o fato de
trabalharem ou estudarem juntos ou serem vizinhos, por exemplo– o
rompimento, invariavelmente, muda a dinâmica da amizade. Mas ela pode
ser mantida, sim, sem problemas, segundo especialistas.
"Tudo depende, na maior parte das vezes, de alguns fatores, como os
motivos que levaram o casal a se separar, de quem foi a decisão, dos
sentimentos de cada um e, sobretudo, da forma como era o relacionamento
com a família e com os amigos do outro antes da separação", explica a
psicóloga Miriam Barros.
Em relação à família, a situação é um pouco mais delicada. No entanto,
um bom relacionamento pode e deve ser mantido, principalmente se durante
o casamento ele era estreito. Não com a mesma intensidade, mas com
respeito e uma proximidade que não incomodem nenhuma das pessoas
envolvidas.
Mesmo
quando as coisas já não iam bem e a decisão de terminar o
relacionamento é de comum acordo, um rompimento sempre traz sofrimento.
Nessas horas, o apoio das pessoas queridas é fundamental. No entanto,
mesmo o mais ponderado e bem intencionado dos amigos pode dar um fora na
tentativa de te consolar. Alguns conselhos mais atrapalham do que
ajudam e devem ser filtrados. Veja a seguir quais são os mais comuns e
descubra por que nem sempre é bom dar ouvidos a eles. Por Heloísa
Noronha, do UOL, em São Paulo André Rocca
A psicopedagoga Eliana de Barros Santos diz que, quando o casal tem
filhos, a relação com os familiares deve ser alimentada até mesmo para
facilitar o convívio com a criança ou o jovem.
"Os laços familiares são importantes para o desenvolvimento e podem ser
bem explorados com o objetivo de formar os filhos com fortes valores e
ética. Essa pode ser, por exemplo, uma boa oportunidade para trabalhar
com os filhos a questão das diferenças nos costumes", diz Eliana.
Emoções sob controle
Assim que acontece o rompimento, é normal que os sentimentos fiquem
meio tumultuados. Com o passar do tempo, porém, as emoções se acomodam e
o convívio pode ser mais tranquilo, tornando possíveis as visitas
pontuais que não causarão desconfortos a ninguém.
É preciso respeitar o tempo de todos (ex-parceiros, amigos e
familiares), sem deixar de falar sobre seus sentimentos. Se você tem
afinidade com o ex-sogro ou com a ex-cunhada, por que não dizer a eles
que o rompimento em nada muda o que sente? Explique que um certo
afastamento será natural, mas deixe claro seu afeto e diga que eles
podem contar com você para o que precisarem.
A amizade deve atingir um ponto de equilíbrio. Pode ser que telefonar
apenas no aniversário ou no Natal pareça pouco, mas ligar ou fazer uma
visita toda semana corre o risco de ultrapassar o limite do bom senso. E
isso vale para os dois lados, pois não são raras as circunstâncias em
que a "ex-família" é quem faz questão de manter a boa convivência, mesmo
que não seja bem-vinda.
Na opinião de Miriam Barros, é essencial respeitar a si mesmo e ao
outro. "Perceba se o fato de continuar a falar com aquelas pessoas causa
algum constrangimento ou sofrimento em você. Se isso acontecer, é
melhor se afastar. Em relação ao 'ex', também é importante notar se sua
presença fere, incomoda, causa raiva ou esperança de retorno", fala a
psicóloga.
Exercite a sensibilidade para perceber quando as atitudes são
exageradas e invasivas. Para Eliana, uma boa ferramenta para descobrir
isso é refletir sobre os seus reais objetivos com a aproximação. "Se
você está precisando muito manter a amizade, questione os motivos. Se
está evitando muito a amizade, questione também", diz.
Lembre-se: aquela família não é mais sua e você deve agir com cautela
para não se tornar inconveniente. Espere o convite para uma visita,
ligue eventualmente e preste atenção nos assuntos que serão abordados na
conversa. "Mas se determinada pessoa não te procurou, mesmo que para
lamentar a separação e desejar boa sorte na nova fase, ou se você ligou
para alguém e não sentiu muita receptividade, entenda como sinais de que
esse relacionamento também chegou ao fim. Não insista, siga em frente",
afirma a consultora de etiqueta Célia Leão.
Novas regras de convivência devem ser construídas aos poucos e precisam
mais uma vez passar por uma adaptação quando o ex-parceiro ou
ex-parceira inicia um novo relacionamento. A psicóloga Maria de Melo,
autora do recém-lançado "A Coragem de Crescer – Sonhos e Histórias para
Novos Caminhos" (Ed. Ágora), afirma que esse é um momento em que,
geralmente, surge uma outra crise.
"É quando a separação se concretiza. E é complexo. Mesmo que você não
goste mais da pessoa com quem teve um relacionamento amoroso, pode
existir uma fantasia inconsciente de que aquele lugar seria sempre seu",
declara. É uma fase que exige, novamente, desenvolver o desapego. Por
isso, é fundamental analisar bem quais são as motivações por trás da
amizade com os parentes ou amigos do "ex" antes de investir nela. É
mesmo por afeto ou apenas uma maneira de não se desligar da vida de
alguém que foi muito importante?
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