Aeroporto de Brasília vive caos um dia após abertura da Copa das Confederações
Aeroporto de Brasília
Um
dia após os protestos que marcaram a abertura da Copa das Confederações
em Brasília, o aeroporto da capital federal viveu uma manhã de caos
neste domingo.
Por volta das 10h, o movimento no aeroporto
internacional Juscelino Kubitschek já era intenso, com filas para o
check-in que chegavam a durar até uma hora e meia, poucas informações
disponíveis e passageiros irritados.
No sábado, Brasil e Japão
abriram oficialmente a Copa das Confederações no Estádio Nacional Mané
Garrincha, em Brasília. Antes do jogo, houve um confronto nas imediações
do local entre policiais e manifestantes que protestavam contra o valor
das obras para o Mundial de 2014.
'Em três anos trabalhando aqui,
nunca tinha visto nada parecido', comentou uma funcionária do
aeroporto, que não quis se identificar.
'Esta é uma imagem de
tristeza. Nossos aeroportos já estavam saturados antes e nada foi feito
para adequá-los a um evento como esse', afirmou o consultor de empresas
de turismo Daniel Bernardes, de 35 anos, enquanto esperava na fila do
balcão da TAM para fazer o check-in para um voo a Manaus.
Para
Bernardes, que fez questão de cronometrar o tempo que passou na fila
(1h10, segundo ele), problemas como esse, se repetidos no ano que vem,
poderão afastar os turistas que o país pretende atrair com a realização
do Mundial.
A assessora Fernanda Peres, de 33 anos, que aguardava
para voltar a Vitória após uma visita de dois dias a Brasília para
assistir à abertura da Copa das Confederações, afirmou que esperava uma
organização melhor no aeroporto.
'Nós brasileiros já estamos acostumados com essa bagunça, mas para o turista estrangeiro deveria ser mais organizado', disse.
Tratamento preferencial
A
demora na fila levou alguns funcionários da TAM a retirar da fila
funcionários da Fifa (responsável pela Copa das Confederações),
aumentando a insatisfação entre os passageiros 'comuns' que aguardavam.
Em
meio à confusão, funcionários passavam também gritando os números dos
voos que estavam prestes a sair, para que os passageiros com aqueles
destinos pudessem ser atendidos na frente.
'Acho que podia ser um
pouco mais organizado, ter mais informação, em vez de ficarem só
gritando os destinos dos próximos voos no meio da confusão', observou
Diogo Lopes, de 33 anos, que aguardava o check-in para voltar a São
Paulo após viajar a Brasília para assistir à vitória do Brasil contra o
Japão, na véspera.
A administradora de empresas Izalina Alves, de
35 anos, disse viajar com frequência de Manaus, onde mora, a Brasília a
trabalho, mas que nunca havia visto o aeroporto com tanto movimento.
'Isto
é um absurdo. É um pouco caso com o cliente, com o cidadão brasileiro',
reclamou. 'Sinto uma tristeza grande como brasileira, se é essa a
imagem que vamos passar para os turistas estrangeiros', disse.
'Esta
é a capital do país, é uma referência. Se fosse lá em Manaus, ainda
vai, mas aqui era de se esperar que as coisas funcionassem', afirmou.
Para ela, muita coisa ainda precisa ser feita para melhorar a
infraestrutura da cidade. 'Se não, vai ser um caos na Copa do Mundo',
disse.
Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a Anac não respondeu às ligações.
Questionada
sobre um suposto tratamento preferencial dispensado a autoridades da
Fifa, a TAM afirmou que seu pessoal em terra pode realocar grupos de
pessoas na fila de acordo com os horários de seus voos.
O jogo
entre Brasil e Japão, no sábado, foi o único da Copa das Confederações
realizado em Brasília, mas na Copa do Mundo do ano que vem o estádio
Mané Garrincha, deverá abrigar seis partidas ao todo.
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