Pais devem deixar os filhos errarem às vezes
A escola dos erros
Como é difícil deixar que nossos filhos deem suas próprias cabeçadas por aí! Mas como é importante! O mundo lá fora espera que errem e acertem para poder crescer...
Sabe
aquele jogo de encaixe em que as crianças costumam entreter-se,
tentando fazer a peça quadrada passar pelo buraco triângulo? Pois na adolescência,
guardadas as devidas proporções, eles continuam cometendo esse
“erro”... Se quando pequenos, nosso papel como pais é incentivá-los a
permanecer tentando até descobrir o encaixe correto, estou percebendo
que a missão se completa à frente, quando o que se espera de nós é que
fiquemos ali, observando-os, maiores, sem interferir, para então dar o
suporte depois que dão suas cabeçadas.
Só que o mundo do “encaixe” na adolescência é mais complexo. E mais doloroso. Amigos é que ditam o que é cool, o que causa, o que é #like e (saiam da sala se não estiverem preparados para cenas chocantes)... a gente não pode fazer nada!
João
sempre foi um aluno exemplar na escola. Daqueles que faziam a lição de
casa já no colégio. Prestava atenção na aula e já entendia tudo! Adorava
ler e já no final do 3º bimestre tinha passado de ano. Mas isso mudou
tão rapidamente quanto apagar as 12 velhinhas no bolo. A mudança de
escola e a entrada na adolescência trouxeram novos limites. Os
livros foram ficando esquecidos. A lição de casa acumulada. No começo,
nós demos uma surtada. A retração do menino mostrou-nos que seria apertar e espanar.
E foi quando percebi que era hora de deixá-lo dar suas cabeçadas. O
boletim do primeiro bimestre doeu no orgulho próprio. O menino estudioso
ainda mora lá. Mas ele não sabe como “vesti-lo” mais.
Ele
poderia não ter passado por isso? Nós poderíamos ter obrigado nosso
filho a estudar dia e noite pra sair bem nas provas? Deveríamos ter
tirado o futebol como ameaça? Achamos que não. Seria como tomar a peça
das mãos da criança pra encaixar no lugar certo. Ela não aprenderia, não é?
Mas, entendemos que novos limites não quer dizer falta de limites! Por isso o segundo bimestre tem uma meta
de nota. Não cumpri-la significará sacrificar as férias. Não deixa de
ser uma ameaça também... mas desta vez, quem determinou o que fazer foi o
próprio menino. Crescido, aprendeu sozinho o custo da responsabilidade.
E quase vejo no canto dos lábios dele o mesmo sorriso de satisfação de
quando descobriu o lugar dos quadrados e dos triângulos.
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