segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cabeçadas adolescentes criam adulto melhor
Pais devem deixar os filhos errarem às vezes

A escola dos erros

Como é difícil deixar que nossos filhos deem suas próprias cabeçadas por aí! Mas como é importante! O mundo lá fora espera que errem e acertem para poder crescer...

Sabe aquele jogo de encaixe em que as crianças costumam entreter-se, tentando fazer a peça quadrada passar pelo buraco triângulo? Pois na adolescência, guardadas as devidas proporções, eles continuam cometendo esse “erro”... Se quando pequenos, nosso papel como pais é incentivá-los a permanecer tentando até descobrir o encaixe correto, estou percebendo que a missão se completa à frente, quando o que se espera de nós é que fiquemos ali, observando-os, maiores, sem interferir, para então dar o suporte depois que dão suas cabeçadas.

Só que o mundo do “encaixe” na adolescência é mais complexo. E mais doloroso. Amigos é que ditam o que é cool, o que causa, o que é #like e (saiam da sala se não estiverem preparados para cenas chocantes)... a gente não pode fazer nada!

João sempre foi um aluno exemplar na escola. Daqueles que faziam a lição de casa já no colégio. Prestava atenção na aula e já entendia tudo! Adorava ler e já no final do 3º bimestre tinha passado de ano. Mas isso mudou tão rapidamente quanto apagar as 12 velhinhas no bolo. A mudança de escola e a entrada na adolescência trouxeram novos limites. Os livros foram ficando esquecidos. A lição de casa acumulada. No começo, nós demos uma surtada. A retração do menino mostrou-nos que seria apertar e espanar. E foi quando percebi que era hora de deixá-lo dar suas cabeçadas. O boletim do primeiro bimestre doeu no orgulho próprio. O menino estudioso ainda mora lá. Mas ele não sabe como “vesti-lo” mais.

Ele poderia não ter passado por isso? Nós poderíamos ter obrigado nosso filho a estudar dia e noite pra sair bem nas provas? Deveríamos ter tirado o futebol como ameaça? Achamos que não. Seria como tomar a peça das mãos da criança pra encaixar no lugar certo. Ela não aprenderia, não é?
 
Mas, entendemos que novos limites não quer dizer falta de limites! Por isso o segundo bimestre tem uma meta de nota. Não cumpri-la significará sacrificar as férias. Não deixa de ser uma ameaça também... mas desta vez, quem determinou o que fazer foi o próprio menino. Crescido, aprendeu sozinho o custo da responsabilidade. E quase vejo no canto dos lábios dele o mesmo sorriso de satisfação de quando descobriu o lugar dos quadrados e dos triângulos.

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