Difuso de público e de propostas, protesto em SP mira corrupção e traz novos "caras pintadas" às ruas
Jovens "caras pintadas", empresários, aposentados, profissionais liberais e representantes de movimentos políticos e sociais: a quinta manifestação contra o aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo
foi tão diversificada de público quanto de 'bandeiras' defendidas
durante o ato, realizado nessa segunda-feira (17) pelas principais ruas e
avenidas da cidade.
Entre os manifestantes ouvidos, e mesmo nas faixas e gritos de guerra, o aumento das tarifas do transporte perdeu espaço considerável para as queixas, em primeiro lugar, contra a corrupção. Outra razão de ser do ato, citada pelos participantes, foi a violência policial ---que ficou explícita, por exemplo, na repressão à manifestação da última quarta-feira (13).
O caráter difuso do movimento abrangeu ainda temas como a falta de
investimentos em saúde e educação públicas, a PEC 37 (que limita o poder
de investigação do Ministério Público), o Estatuto do Nascituro, os
gastos com a Copa do Mundo e até a liberdade palestina e o fim dos
conflitos na Turquia.
Para a aposentada Marita Ferreira, de 82 anos, que esteve com o filho
no Largo da Batata e na avenida Faria Lima, o protesto passa ao largo do
preço da tarifa. "Participo, primeiro, porque eu gosto. Queremos um
Brasil melhor, com muita saúde, e [queremos] deixar de violência. É ou
não é?"
"Vim porque estou de saco cheio", diz aposentado
Na avenida Juscelino Kubitshek, a caminho da ponte Estaiada, o
aposentado Marco Antonio, 58, foi taxativo na razão que o levou a
acompanhar a massa que começou dominada por figuras mais jovens, há
pouco mais de uma semana: "Vim porque estou de saco cheio. Vejo um
pessoal aposentado catando latinhas, enquanto que para o Senado, por
exemplo, a gente vê algumas mordomias completamente descabidas" , disse.
Também na Faria Lima, a socióloga Gisela Wajskop, 55, definiu a
motivação para estar no protesto: "Chega de negociação, o povo tem que
se manifestar. Chega de pacto com o capital: vamos mudar esse discurso",
resumiu, ela que foi com o filho ao ato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário